Tomar nas nossas mãos<br>os destinos das nossas vidas
Não é de hoje que a adesão ao PCP é a decisão mais coerente para todos quantos estão inquietos com a situação do País e querem contribuir para a alterar, para quem não se conforma com as injustiças, as desigualdades e a exploração e sonha com uma sociedade justa e desenvolvida. Mas com o País a atravessar um dos mais negros períodos da sua história recente, tal opção ganha carácter de urgência.
Ontem à noite (já depois do fecho da nossa edição) teve lugar em Lisboa um encontro com jovens no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal e do 92.º aniversário do Partido. Com essa iniciativa, subordinada ao lema «Nas tuas mãos o destino da tua vida. Toma Partido», pretendeu-se valorizar o significado profundo do acto de aderir ao Partido Comunista Português, da decisão consciente de se juntar ao colectivo que luta diariamente pela construção de uma sociedade nova, liberta de todas as formas de exploração e opressão – o socialismo e o comunismo.
Aos 85 anos, explicando numa entrevista o que o levou a juntar-se ao PCP com apenas 17, Álvaro Cunhal afirmou: «Achava que as coisas estavam mal, comecei a fazer umas leituras, as leituras começaram a trazer-me a notícia da Revolução Russa, da luta dos comunistas e do marxismo, comecei a ter uns livros à mão a esse respeito, um pai muito respeitador, espírito aberto e democrático, e portanto foi fácil. Quando terminei o liceu fui para a faculdade, procurei o Partido, encontrei-o, comecei a ser comunista e ainda não acabei.» Tal como Álvaro Cunhal, foram muitos os que, antes e depois dele, tomaram semelhante opção, decididos a lutar colectivamente pelos ambiciosos e generosos objectivos do Partido – nada mais nada menos do que construir a «terra sem amos» de que fala A Internacional.
Se, neste centenário, há que salientar a vida, o pensamento e a luta de Álvaro Cunhal, projectando-os, como diz o lema, na actualidade e no futuro, uma coisa é porém certa: não há melhor forma de o assinalar do que cuidar do Partido ao qual Álvaro Cunhal dedicou a sua vida e o melhor das suas energias: alargando-o com mais e mais militantes, integrando-os na organização e na acção partidárias, reforçando ainda mais o seu enraizamento no seio dos trabalhadores e do povo, de onde recolhe as suas energias e vai buscar os seus quadros e militantes.
Nos últimos anos foram cerca de seis mil os que, perante a violência da ofensiva contra direitos e contra a própria existência de Portugal como País soberano, tomaram partido e aderiram ao PCP. Hoje damos voz a quatro dessas pessoas, com diferentes proveniências e experiências, mas unidas na mesma opção de se juntarem a este grandioso colectivo que é o Partido Comunista Português.
Ana Rita Lázaro
Estamos na linha da frente
Ana Rita Lázaro tem 19 anos e é estudante de Artes no Ensino Secundário. Inscreveu-se na JCP em 2009 e no Partido dois anos depois. É actualmente membro da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP.
A minha família é do Partido e sempre ouvi muitas conversas em casa sobre política, sobre os governos e a situação do País. E sempre tivemos também muitas dificuldades. Somos três irmãos e não tínhamos o que outros colegas da escola tinham e eu perguntava muitas vezes por que é que uns tinham muito e outros tão pouco. Desde pequena que vou à Festa do Avante! e foi aí que comecei a ter contacto com a JCP, na Cidade da Juventude. Quando vi documentos da JCP na escola comecei a ter curiosidade (só havia documentos da JCP e de mais ninguém), pois identificava-me com o que lá estava escrito. Quando fiz 16 anos fui ao Centro de Trabalho do Partido em Setúbal e inscrevi-me. Nesse mesmo dia fui ao acampamento regional e comecei logo a ter contacto com os outros camaradas e a aprender o que é isto da JCP.
A força do colectivo
Quando entrei para a JCP comecei a escrever documentos para serem distribuídos nas escolas e a ler os jornais – o Avante! e o Agit. Fazer parte da JCP foi bom pois estava com pessoas que compreendiam o que eu passava, as dificuldades que tinha em casa e na própria escola, e podia reflectir isso no que escrevia e nos documentos que fazíamos. Depois passei a ser da CNES [Coordenadora Nacional do Ensino Secundário da JCP] e a conhecer as realidades de outros sítios e pessoas de todo o País. Foi uma grande experiência saber que a JCP se alargava ao País inteiro.
Até entrar para a JCP, um bocado antes do IX Congresso [realizado em Maio de 2010], só tinha esse contacto por via dos documentos que eram distribuídos na escola, mas depois passei a perceber melhor as coisas, o que se passava na escola, as dificuldades por que passava a minha família. Sempre admirei muito a capacidade que temos para discutir e para tomar decisões em colectivo e acho que foi muito positivo eu ter vindo para a JCP, ajudou-me a crescer, pois passei a ter uma maior consciência das razões pelas quais escrevia e distribuía aqueles documentos e porque é que ia para as lutas. Acho que foi um grande passo, inscrever-me na JCP.
Lutar para mudar
O nosso papel hoje em dia passa muito por estarmos na linha da frente da luta, tanto nas escolas como noutros sectores. É isso que eu sinto: nós temos que estar na linha da frente, nós é que temos que direccionar a luta. É esta luta, que travamos todos os dias, que vai realmente mudar alguma coisa.
No dia-a-dia, vamos às escolas e vemos de perto as realidades concretas, informamos os estudantes da situação do País, dos cortes na educação, e ouvimos também o que eles têm para nos dizer. Quando lemos o Programa do Partido, temos mais facilidade em perceber muitas das coisas que lá estão. É muito em torno do que vivemos no dia-a-dia que fazemos essa aprendizagem.
Duarte Alves
São os comunistas que dinamizam a luta
Duarte Alves, de 22 anos, integra o Secretariado da Direcção Nacional da JCP. Estudante universitário de Economia, aderiu à JCP há três anos e é do Partido há dois.
No Secundário em Torres Vedras havia alguma malta da JCP e sentia-se a sua preocupação em chegar aos estudantes. Tivemos nessa altura manifestações muito positivas e eram claramente os comunistas os mais empenhados nessa luta e os que estavam na frente, a puxar os estudantes. Comecei então por participar nas reuniões do colectivo de escola da JCP e depois na Associação de Estudantes, onde havia militantes da JCP e outros, como eu, que não o eram.
Quando fui para o Ensino Superior, para o ISEG, não era ainda da JCP, e comecei a participar no colectivo. Até que chega ao dia em que faço um recrutamento para a JCP e dou por mim a falar com um colega da minha turma para se inscrever na JCP quando eu próprio não tinha ainda dado esse passo. Inscrevi-me nesse dia.
Uma das razões que me levou a fazê-lo foi ter compreendido que ser militante comunista é sobretudo uma questão de participação activa e de puxar os outros para a luta, não nos fechando sobre nós próprios, mas ter uma organização aberta à participação da juventude.
Debater para agir
Inscrevi-me no processo preparatório do IX Congresso da JCP [realizado em Maio de 2010] e isso permitiu-me tomar contacto com uma realidade muito mais vasta. A partir do momento em que entrei para a JCP percebi melhor que as coisas estão todas ligadas. Senti um grande aumento da consciência a partir desse momento.
Estarmos organizados dá-nos não só perspectiva de como as coisas são mas uma maior capacidade de agir. Eu antes sentia que já fazia bastante, ao reunir no colectivo e participar nas distribuições, mas desde que tomei partido e passei a estar organizado, esse contributo é muito maior.
Protestar e construir
Eu acho que a maioria dos militantes se aproximaram da JCP e do Partido precisamente por via das lutas concretas e das situações que enfrentam no seu dia-a-dia. E o facto de o Programa do Partido ser tão ligado a essa realidade e a essa luta concreta dos trabalhadores, dos estudantes e do povo em geral, facilita muito a sua apreensão. Não descobrimos nada de propriamente novo quando conhecemos o Programa do Partido, é a consequência natural daquilo que é a nossa luta, a nossa participação, ou seja, aquilo que nos leva a chegar junto da JCP e do Partido. E depois, naturalmente, compreendemos aquilo que é o Programa do Partido.
Hoje ninguém tem dúvidas de que a situação está mal e que é preciso mudar. É uma ideia generalizada. E o nosso papel enquanto comunistas é também conseguir passar a ideia de que é a luta organizada, consequente, diária, que leva à mudança. Ser comunista hoje é estar a construir esse momento em que o povo vai conseguir libertar o País desta política.
Apelo a todos os jovens que, confrontados com esta realidade, que sentem na pele as dificuldades que esta política lhes está a causar, que sentem que isto está mal e que é preciso mudar, para que não tenham preconceitos e conheçam melhor o nosso Programa, as nossas propostas, o que andamos a fazer no dia-a-dia. E que dêem o passo e se tornem militantes comunistas, juntando-se a este grande colectivo.
Joana Teixeira
Temos que estar unidos
Joana Teixeira, de 27 anos, é enfermeira no Hospital de Santa Maria. Entrou para o Partido há um ano, integrando a Célula da Saúde de Lisboa do PCP. É delegada sindical do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.
Lembro-me de sempre ter tido alguma consciência política, mas também tinha receio de me juntar a partidos políticos, também tinha preconceitos. Concordava com o PCP, votava no PCP, mas tinha medo de aderir.
Entretanto, a minha irmã mais nova entrou para o Partido um ano antes de mim e a experiência dela, o que ela trazia todos os dias, foi muito importante para eu ter tomado esta decisão. Além disso, aos 26 anos a consciência já não é a mesma do que quando tens 18, vai evoluindo. Eu queria participar activamente e achava que já não fazia sentido nenhum estar de fora. Se era com o Partido que eu estava queria militar activamente nele. Ao mesmo tempo, sindicalizei-me e comecei a desenvolver actividades no meu sindicato (SEP), primeiro como activista e depois como delegada.
Desmontar preconceitos
As pessoas têm muito mitos na cabeça, sobretudo mitos anticomunistas. Eu, que tinha muita vontade de participar, também tinha estes mitos e entrei a medo por causa deles. Sempre tinha ouvido que o Partido era fechado, antidemocrático, que a hierarquia era muito marcada e além disso, tirando a minha irmã, a minha família não é do Partido. O meu pai, aliás, sempre votou à direita. E neste ano o Partido permitiu-me desconstruir isso tudo. Hoje o que mais me define e daquilo que mais tenho orgulho é precisamente ser comunista, ser membro do PCP.
Ao início sentia-me muito envergonhada por dar a minha opinião, mas o que é certo é que sempre me senti livre para ser clarificada e para expor o meu ponto de vista. Não há diferenças entre as pessoas, todos falamos e discutimos livremente. Digo isso a toda a gente, aos meus colegas, aos meus amigos, à minha família. Não há nenhum partido melhor do que o nosso nesse aspecto, tenho a certeza.
A minha mãe, ao princípio, perguntava: “não podem ao menos ser do Bloco? Têm que ser comunistas?” Não se metia muito, não queria conhecer muito, nem queria que falássemos com ela sobre isso. E nós perguntavamos: “estás a apartar-te do que nós somos, de conhecer as tuas filhas.” E agora está mais próxima.
Ser do Partido
Entrar para o Partido mudou tudo. Olho para mim há um ano e a consciência política, a consciência de classe, a consciência de tudo o que me rodeia é hoje completamente diferente. Abri os meus horizontes e descobri muitas coisas que antes não estavam claras. Espero aproveitar este ano para saber mais sobre o camarada Álvaro Cunhal.
Ter aderido ao Partido foi um passo de grande importância. Percebi que temos força, que crescemos, que a nossa participação tem repercussões e consequências. Mais do que nunca, com todos os ataques que estamos a sofrer, que não são novos mas que têm agora uma maior agressividade, temos que estar unidos e juntos numa luta organizada, com propostas, com sentido, com honestidade ideológica, que é o que define mais o nosso Partido e o demarca de todos os outros.
Alberto Bento
O Partido tem vindo a chegar aos mais jovens
Alberto Bento tem 28 anos e é operário na Câmara Municipal da Moita, trabalho que acumula com outro, para conseguir fazer face às despesas. Membro do Partido há um ano, é membro da célula da Câmara e dirigente da Interjovem.
Quando era mais novo estive inscrito na JCP em Alhos Vedros [freguesia do concelho da Moita]. Fui atrás de amigos e gostei do ambiente e dos ideais que o Partido representa. Estive activo durante três anos mas depois fui estudar para Setúbal e não deu para conciliar os horários e acabei por me afastar. Quando vim trabalhar para a Câmara Municipal da Moita, com todo o trabalho que o Partido e o sindicato desenvolviam, acabei por me ligar novamente e por me inscrever. O meu pai é do Partido e desde muito novo que tive um ambiente familiar próximo dos ideais do Partido, mas a minha motivação foi pessoal, por entender que o Partido Comunista é aquele que vai ao encontro dos meus ideais, que é o que tem uma política mais correcta para um futuro governo do País, que pode trazer alguma coisa de bom e que pode beneficiar o povo. E eu queria fazer parte disto.
Continuando o País como está, não vejo um grande futuro para o meu filho. E uma das razões que me levou a entrar para o Partido, além dos meus ideais, foi a vontade de fazer alguma coisa pelos outros mas também pelos meus.
Aprendizagem e consciencialização
A mudança mais significativa que senti depois de me inscrever no Partido foi o conhecimento que adquiri. Uma pessoa ao estar organizada tem outro ponto de vista acerca do que está a acontecer e do que tem que ser feito. Estou com outros camaradas e vou aprendendo com eles. Há um processo de evolução da consciência.
Tem havido uma grande disponibilidade da minha parte e vou continuar a fazer sempre o mais que possa. Trabalho na Câmara da Moita mas devido à situação do País sou obrigado a ter um segundo emprego para fazer face às despesas que, com um filho pequeno, aumentam. Ganho menos de 500 euros e não dá para as despesas. Mas tenho participado nas acções reivindicativas dos trabalhadores, nomeadamente da Administração Pública, que é o meu sector. E para além de estar organizado no Partido, estou na direcção da Interjovem.
Os jovens estão na luta
Os jovens cada vez têm vindo a aderir mais à luta. Sinto pelo meu trabalho na Interjovem que há muito mais abertura por parte dos jovens para participar nas acções. A situação tem vindo a piorar o que fez com que a mentalidade das pessoas fosse evoluindo. E acho que vai haver cada vez mais a adesão dos jovens às manifestações e às lutas que se vão fazendo.
Aliás, quase metade dos membros da célula do Partido na Câmara Municipal da Moita são jovens. Está a haver um processo de rejuvenescimento e vê-se que o Partido tem vindo a tocar os mais jovens. O trabalho da célula tem vindo a consciencializar os jovens e o Partido tem feito um trabalho muito bom.